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Brasil é apenas o 76º em acesso à internet

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Monday, 09 July 2007

 

Por Rodrigo Craveiro.
Publicada no Correio Braziliense.
04/072007.


Relatório alerta para fenômeno da brecha digital e coloca o DF como a região do país com maior número de usuários da rede mundial


Com uma população estimada em 189.197.363 habitantes, o Brasil reflete suas disparidades sociais no meio virtual. Divulgado pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), o relatório Lápis, borracha e teclado: tecnologia da informação na educação alerta para a brecha digital, termo usado para nomear a distância que separa quem tem mais, menos ou nenhum acesso à internet. Ao todo, 18,5% dos brasileiros possuem microcomputadores e 13,6% navegam na rede mundial a partir da própria casa.


A taxa de usuários da internet no Brasil é de 17,2%, um índice considerado preocupante quando comparado com números da Islândia e da Suécia, onde 87,8% e 76,2% da população, respectivamente, freqüentam o ambiente da World Wide Web (WWW). No ranking da União de Telecomunicações Internacionais (UTI), o Brasil aparece em 76º lugar, atrás de Argentina, Uruguai, Costa Rica, Chile e Porto Rico. Com 16,1 micros por 100 habitantes, lidera o ranking da UTI de nações de renda média baixa. A média dos países de maior renda é de 58,9 computadores por 100 habitantes.


Entre as unidades federadas, o Distrito Federal lidera com folga, com 37,2% de proprietários de microcomputadores e 29% de usuários de internet. O Maranhão tem os piores índices, com 1,7% de internautas. De acordo com Jorge Werthein, diretor executivo da Ritla, os dados evidenciam o fenômeno da brecha digital. “Nas escolas públicas com alunos de maior nível de renda, a informatização avançou muito mais que naquelas que concentram alunos economicamente menos favorecidos”, observou.


Werthein se preocupa com o baixo nível de acesso à internet comparado com os países avançados e com o fato de que, no campo educacional, o uso da informática no Brasil ainda é bastante restrito. “Nosso estudo demonstra que a informatização escolar influencia significativamente no aproveitamento curricular dos alunos”, afirmou. Em relação ao bom aproveitamento do DF, o diretor da Ritla explica que a região concentra uma população de alto poder aquisitivo. “Além de ser a unidade federada com a mais alta taxa de posse de computador e internet domiciliar no país, o DF possui uma grande massa de funcionalismo estatal, que acessa a rede do local de trabalho”, concluiu.


Pai da rede


Na década de 1970, ele foi um dos criadores da internet. Vint Gray Cerf, pai da rede mundial de computadores, afirmou ao Correio que o Brasil pode diminuir a brecha digital e impulsionar o conhecimento. Ele prevê que os telefones celulares terão um papel importante nesse processo, por se tornarem cada vez mais poderosos, acessíveis e menos caros. “Uma combinação de desktops, laptops e celulares, além da comunicação wireless (sem fio), aumentará substancialmente a população brasileira usuária de internet”, acredita.


Para Cerf, a internet é um oceano onde chovem quantidades crescentes de informação. E esse mar estaria ligado à educação. O pioneiro da rede lembrou que a internet convida os usuários à interação e a explorarem informações intermináveis arquivadas por sistemas de busca como o Yahoo! e o Google. “Ela é uma grande biblioteca acessível ao toque do teclado. Podemos agora ligar o mundo virtual ao mundo real, e permitir que os alunos conduzam missões científicas utilizando equipamentos reais controlados pela WWW”, afirmou.


A exclusão da internet cassa os direitos dos usuários de participarem da maior revolução da história da informação. Vint Cerf, pioneiro da internet.

 

 

 
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